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  silvia2.jpg Anéis feitos de concreto compôs o figurino da atriz Suzana Pires na novela Fina Estampa da Rede Globo/Foto:Divulgação  Prata reciclada de abreugrafia (chapas radiográficas), cimento, tijolo e pirita garimpados em canteiros de obras são os elementos das peças da coleção “Canteiro de Joias”, de Silvia Blumberg.   A designer carioca, premiada no Brasil e no exterior, tem uma relação com o reproveitamento de peças produz joias sustentáveis   Joias que ganharam destaque no Brasil, sendo inclusive parte do figurino das atrizes Eva Wilma e Suzana Pires, na novela Fina Estampa, da Rede Globo. Em entrevista ao EcoDesenvolvimento.org, a designer premiada no Brasil e no exterior relembra o começo da carreira, as inspirações, além de contar sobre o processo de criação das peças, as dificuldades do dia a dia e novas coleções. Silvia ainda alerta sobre a importância do reaproveitamento dos resíduos sólidos. apresentará na 19º edição do Rio-à-Porter, evento de moda e design oficial do Fashion Rio, que será realizado de 10 a 13 de janeiro, na capital carioca.   Em busca da sustentabilidade silvia1.jpg Silvia conta que desde criança gostava de reaproveitar produtos/Foto:Divulgação Nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro, com uma infância desprovida de brinquedos, a criatividade foi essencial para Silvia Blumberg. Ela fazia seus próprios objetos de diversão a partir de outros produtos. “Sempre gostei de reaproveitar roupas. Desde pequena que pego coisas antigas e transformo em novas”, relembrou a designer de joias. Essa vivência de inspirações e cuidados, Silvia trouxe para o campo profissional. Formou-se em serviço social pela paixão de cuidar das pessoas, mas permitiu que a criatividade fosse o instrumento da atual profissão. Na área desde 1999, ela já foi premiada no Brasil e exterior, com peças usadas por artistas nacionais. Porém, em 2008, um fato despertou novamente nela o desejo de ajudar, dessa vez, o meio ambiente. “Eu comecei profissionalmente no mundo da sustentabilidade a partir das enchentes que ocorreram em Santa Catarina, em 2008. Meu marido é da indústria têxtil e vimos milhares de camisetas serem destruídas pela enchente. Foi quando tive a ideia de lavar as blusas sujas de lama. Todos disseram que eu era louca, e de fato as manchas não saíram completamente, mas eu tingi uma delas e vi que poderíamos colorir”, explica Blumberg. “Com ajuda do diretor técnico do Sebrae do Rio de janeiro, Renato Regazzi, transformamos as manchas em estampas e colocamos a marca Selo da Solidariedade. O que estava pronto pra ir para o lixo, foi reaproveitado”, explica.   O envolvimento com as enchentes fez com que a profissional estudasse mais sobre este desastre natural. Foi quando ela teve contato com canteiros de obras, nos quais os resíduos produzidos nos locais das construções colaboraram para as inundações, de acordo com Blumberg. Para mostrar que existem formas de reaproveitamento dos resíduos sólidos das construtoras, ela teve a ideia de criar jóias utilizando restos de cimento e tijolos para exemplificar que, com criatividade, tudo pode ser reaproveitado. “Muitas indústrias têm resíduos que podem ser transformados em outros objetos”, afirmou. “Eu tenho consciência que não dá pra fazer tudo sustentável, não tem como, não da pra viver só disso, por isso sou obrigada a colocar pedras preciosas e pedras brasileiras nas peças, mas eu tento, e seria bom que todos tentassem”, sugeriu a designer. A arte da criação silvia.jpg Atelier de Silvia situado em Ipanema no Rio de Janeiro/Foto:Divulgação  Silvia deixa claro que sempre gostou do que é diferente, além de suas peças inovadoras, o próprio atelier, situado em Ipanema, foge da normalidade. Suas vitrines possuem tijolos, outras são feitas com bobinas de papelão, seus enfeites de natal são produzidos a partir de papel reciclado. A designer de jóias desde 1999 já exportou para outros países, no entanto, tem cinco anos que vende apenas para o Brasil. “É um sonho voltar a exportar”, relatou. Além de utilizar materiais de canteiros de obras, Silvia utiliza também papel, asa de besouro, coco, jeans, borracha, chifre, legumes, entre outros. silvia5.jpg Da esquerda para a direita; brincos de papel, brincos de tijolo e anel com asa de besouro/Foto:Divulgação As jóias de papel foram criadas no intuito de obter leveza. Segundo a designer, os brincos compridos costumam ser pesados e a técnica de quilling consegue unir beleza e conforto. “A jóia de papel é legal porque ela reduz material. Ainda não conseguimos fazer com reciclagem, mas eu vou conseguir.” Para Silvia, o processo de criação é variado e vai depender do olhar. Com relação à obtenção de materiais, ela explicou que eles costumam chegar até ela. “Eu não procuro o material, o material que me procura. Perguntaram uma vez, em uma entrevista, onde eu conseguia os materiais e eu disse que o material chega até mim, só que eu o vejo. É que nem o amor, que nem a felicidade, que nem a sorte está em todos os lugares, mas tem gente que vê e gente que não vê.” O mercado de jóias sustentáveis De acordo com Silvia, o mercado de jóias sustentáveis no Brasil tem tudo para dar certo. “O mercado tem muito futuro, por enquanto é um público minoria, mas é um público formador de opinião, um público com alta escolaridade”, destacou. O fato de ser minoria é apontado por ela como umas das principais dificuldades do trabalho. Então, para ter sucesso, é preciso estudar muito, saber tudo sobre o assunto, além de força de vontade e muita criatividade. A falta de apoio também afeta os profissionais da área. Silvia relembrou que, quando começou a trabalhar com resíduos de canteiros de obra, achou que logo encontraria apoio das construtoras civis, o que não aconteceu. A designer tem feito palestras em escolas, onde leva para os estudantes conceitos sobre a importância de reciclar e todas as possibilidades que se pode obter a partir de resíduos. “Eu acho que as escolas devem pensar em fazer uma mudança curricular, acho fundamental colocar dentro das salas de aula essas questões dos resíduos, para que as pessoas compreendam suas variadas aplicações.” Nova colação silvia6.jpg Nova linha “Horta Carioca” com anéis de cimento branco tingidos com beterraba/Foto:Divulgação As peças de Silvia já foram vistas em personagens de diversas novelas “globais”, tais como: Caminho das Índias, O Clone, Malhação, Cordel Encantado, Fina Estampa, assim como em apresentadoras e atrizes da Rede Globo, a exemplo de Patrícia Poeta, Carol Castro e Leandra Leal. A nova linha da coleção Canteiro de Jóias é intitulada “Horta Carioca” e tem como matéria prima o cimento branco, que recebe coloração de verduras como a beterraba. Segundo a designer, o cimento branco é sempre um resíduo que sobra. Para entrar em contato com a designer e conhecer mais peças clique aqui.